domingo, 25 de outubro de 2026
SAÚDE

Como prevenir a hipertensão com mudanças simples na rotina no Rio Grande do Norte

Mudanças simples na alimentação e no estilo de vida podem ajudar a prevenir a hipertensão. Veja como reduzir o consumo de sal, movimentar o corpo, evitar o cigarro e o excesso de álcool e acompanhar a pressão arterial no Rio Grande do Norte.

A hipertensão arterial, conhecida como pressão alta, pode se desenvolver sem provocar sintomas claros. Por isso, além de adotar hábitos saudáveis, é importante medir a pressão regularmente e buscar avaliação em uma unidade de saúde quando houver alterações.

Para quem vive no Rio Grande do Norte, as mudanças podem começar com atitudes simples no dia a dia, como diminuir o sal no preparo das refeições, trocar alimentos ultraprocessados por opções in natura ou minimamente processadas e incluir mais movimento na rotina. Essas medidas ajudam a reduzir fatores de risco, mas não substituem o acompanhamento profissional.

Segundo a orientação do Ministério da Saúde, manter o peso adequado, praticar atividade física, abandonar o cigarro, moderar o consumo de álcool e controlar doenças como o diabetes fazem parte da prevenção da hipertensão. (gov.br)

O que é hipertensão e por que prevenir

A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes dos vasos sanguíneos. Quando permanece elevada de forma persistente, pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares, acidente vascular cerebral, doença renal e outras complicações.

Uma única medição acima do esperado não confirma, por si só, o diagnóstico. A hipertensão deve ser identificada por um profissional de saúde a partir de medidas realizadas de forma adequada e, quando necessário, em momentos diferentes. A Organização Mundial da Saúde informa que a confirmação costuma considerar leituras elevadas em mais de um dia. (who.int)

Idade, histórico familiar e características individuais podem aumentar o risco e não podem ser modificados. Ainda assim, vários fatores ligados ao estilo de vida podem ser prevenidos ou controlados.

1. Reduza o sal aos poucos

O excesso de sódio é um dos principais pontos de atenção na prevenção da pressão alta. O sal de cozinha não é a única fonte: produtos industrializados, embutidos, temperos prontos, biscoitos, salgadinhos, macarrão instantâneo, enlatados e refeições prontas também podem concentrar grandes quantidades de sódio.

Para diminuir o consumo, retire o saleiro da mesa e reduza gradualmente a quantidade usada no preparo. Ervas frescas ou secas, alho, cebola, limão, pimenta, cheiro-verde, coentro e outras especiarias podem ajudar a preservar o sabor dos alimentos.

Também vale comparar os rótulos e escolher produtos com menor quantidade de sódio. A recomendação citada em materiais do Ministério da Saúde é limitar o consumo diário a cerca de 2 gramas de sódio, equivalente a aproximadamente 5 gramas de sal, considerando o sódio presente nos alimentos e o adicionado durante o preparo. (saude.pr.gov.br)

Na prática, uma boa estratégia é cozinhar mais em casa, evitar temperos prontos e deixar os alimentos ultraprocessados para ocasiões menos frequentes. A comida tradicional baseada em arroz, feijão, verduras, legumes, frutas e preparações caseiras pode fazer parte de uma alimentação mais equilibrada.

2. Inclua mais frutas, verduras e legumes

Uma alimentação protetora para o coração deve priorizar alimentos in natura ou minimamente processados. Frutas, verduras, legumes, feijão, lentilha, grão-de-bico, aveia e outros alimentos ricos em fibras ajudam a melhorar a qualidade da dieta.

O Ministério da Saúde orienta aumentar o consumo de frutas, verduras e legumes, incluir alimentos integrais quando possível e reduzir produtos ultraprocessados. Também recomenda manter o arroz com feijão na rotina, uma combinação tradicional que fornece fibras e outros nutrientes. (linhasdecuidado.saude.gov.br)

Uma forma simples de começar é acrescentar uma fruta ao café da manhã ou ao lanche, colocar pelo menos um legume ou uma verdura no almoço e repetir a escolha no jantar. A mudança não precisa ocorrer de uma só vez: pequenas substituições mantidas ao longo do tempo tendem a ser mais fáceis de incorporar.

3. Diminua o consumo de ultraprocessados

Alimentos ultraprocessados geralmente apresentam excesso de sódio, açúcar, gorduras e aditivos. Entre os exemplos estão refrigerantes, sucos em pó, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, embutidos, refeições congeladas e alguns temperos prontos.

Isso não significa que uma pessoa precise mudar toda a alimentação de um dia para o outro. Uma alternativa é substituir um produto por vez: trocar o refrigerante por água, escolher fruta no lugar de biscoito e preferir uma preparação caseira ao embutido.

A leitura da lista de ingredientes e da tabela nutricional ajuda a identificar produtos com maior quantidade de sódio. Quando o ingrediente aparece entre os primeiros itens da lista, isso indica que está presente em maior proporção na composição.

4. Faça atividade física regularmente

Movimentar o corpo é uma das medidas mais importantes para reduzir o risco de hipertensão. Caminhar, dançar, pedalar, nadar, subir escadas e realizar atividades domésticas são exemplos de movimentos que podem ser incorporados à rotina.

A Organização Mundial da Saúde recomenda, para adultos, pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada, ou 75 minutos de atividade intensa, além de exercícios de fortalecimento muscular em dois ou mais dias da semana. (who.int)

Quem está parado há muito tempo pode começar com períodos curtos, como dez ou 15 minutos, e aumentar gradualmente. Uma caminhada em ritmo confortável, feita com regularidade, pode ser um ponto de partida. O ideal é escolher atividades possíveis de manter e, quando houver doença, dor, falta de ar ou insegurança, buscar orientação profissional antes de aumentar a intensidade.

Pessoas que já têm hipertensão, diabetes, doença renal, problemas cardíacos ou outros fatores de risco devem conversar com um profissional de saúde para definir a atividade mais segura.

5. Mantenha o peso sob acompanhamento

O excesso de peso pode aumentar o risco de hipertensão e de outras doenças crônicas. A prevenção não deve ser baseada em dietas radicais ou em metas rápidas, mas em mudanças consistentes na alimentação, na atividade física e no sono.

Reduzir bebidas açucaradas, diminuir o consumo de frituras, controlar o tamanho das porções e fazer refeições com mais alimentos naturais são medidas que podem contribuir para o controle do peso.

O peso ideal não deve ser avaliado apenas pela aparência. A equipe da unidade básica de saúde pode analisar o conjunto de fatores, como idade, histórico clínico, medidas corporais, alimentação e presença de outras doenças.

6. Evite o cigarro e modere o álcool

O tabagismo aumenta o risco cardiovascular e prejudica a saúde dos vasos sanguíneos. Parar de fumar é uma das decisões mais importantes para proteger o coração, o cérebro e os pulmões.

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas também está associado ao aumento da pressão arterial. Reduzir a frequência e a quantidade pode ajudar, mas pessoas que têm dificuldade para parar devem procurar apoio profissional em vez de tentar enfrentar o problema sozinhas.

O Ministério da Saúde inclui o abandono do cigarro e a moderação do álcool entre as principais medidas de prevenção da hipertensão. (gov.br)

7. Cuide do sono e do estresse

Dormir mal e viver sob estresse constante pode dificultar a adoção de hábitos saudáveis e afetar o controle da pressão. Criar horários mais regulares para dormir, reduzir o uso de telas antes de deitar e reservar momentos de descanso são medidas que podem contribuir para uma rotina mais equilibrada.

Atividades de lazer, convivência com familiares e amigos, técnicas de respiração e práticas de relaxamento podem ajudar no bem-estar. Elas não substituem o tratamento médico, mas podem complementar o cuidado.

8. Meça a pressão regularmente

A hipertensão pode não causar dor de cabeça, tontura ou outro sinal perceptível. Por isso, a única maneira de saber como está a pressão é fazer a medição.

As linhas de cuidado do SUS orientam que adultos a partir de 18 anos façam acompanhamento periódico da pressão em uma unidade de atenção primária. A frequência pode variar conforme a idade, o histórico familiar e as condições de saúde. (linhasdecuidado.saude.gov.br)

Antes da medição, é recomendável permanecer sentado por alguns minutos, evitar falar durante o procedimento e manter o braço apoiado. Café, exercício físico e cigarro pouco antes da medida podem interferir no resultado. Se a leitura estiver repetidamente elevada, procure uma unidade básica de saúde para avaliação.

Quando procurar atendimento

Quem apresenta medidas elevadas em mais de uma ocasião deve buscar orientação médica ou de enfermagem. O profissional poderá confirmar a situação, avaliar fatores de risco e indicar mudanças de rotina, exames ou medicamentos, quando necessário.

Não interrompa remédios prescritos por conta própria, mesmo que a pressão pareça normal. Mudanças no tratamento devem ser feitas somente com orientação do profissional responsável.

Pressão muito elevada acompanhada de dor no peito, falta de ar, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, confusão mental, desmaio ou alteração súbita da visão exige atendimento de urgência.

Um plano simples para começar

  • Retire o saleiro da mesa e reduza o uso de temperos prontos.
  • Inclua uma fruta no lanche e verduras ou legumes nas principais refeições.
  • Troque refrigerantes e sucos artificiais por água com mais frequência.
  • Faça caminhadas ou outra atividade possível, começando com poucos minutos e aumentando gradualmente.
  • Evite cigarro e procure ajuda para parar de fumar.
  • Reduza o consumo de bebidas alcoólicas.
  • Meça a pressão regularmente em uma unidade de saúde.
  • Procure atendimento se houver leituras repetidamente elevadas ou sintomas de alerta.

Prevenir a hipertensão não depende de uma única mudança. A combinação de alimentação com menos sal e ultraprocessados, atividade física, controle do peso, sono adequado, abandono do cigarro e acompanhamento regular aumenta a proteção cardiovascular. No Rio Grande do Norte, a porta de entrada para esse cuidado é a rede de atenção primária, como as unidades básicas de saúde, onde a população pode buscar orientação e aferir a pressão.