segunda-feira, 26 de outubro de 2026
SAÚDE

Saúde da mulher: exames preventivos que não devem ser esquecidos

Confira os principais exames e cuidados preventivos para a saúde da mulher, incluindo mamografia, teste de DNA-HPV, Papanicolau, vacinação, avaliação da pressão, glicemia, colesterol e saúde óssea.

Manter os exames preventivos em dia é uma das formas mais importantes de cuidar da saúde da mulher. O acompanhamento regular ajuda a identificar alterações antes que elas provoquem sintomas, permite iniciar tratamentos mais cedo e favorece a prevenção de doenças crônicas, infecções e alguns tipos de câncer.

Para mulheres que vivem no Rio Grande do Norte, a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) é, em geral, a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. A equipe de atenção primária pode orientar sobre a necessidade de exames, vacinação, acompanhamento ginecológico, saúde sexual e reprodutiva, pressão arterial, diabetes e outros cuidados. As recomendações variam conforme idade, histórico familiar, presença de sintomas, gestação, uso de medicamentos e condições de saúde.

1. Rastreamento do câncer do colo do útero

O rastreamento do câncer do colo do útero é um dos principais cuidados preventivos para mulheres e outras pessoas que têm colo do útero. A infecção persistente pelo papilomavírus humano, conhecido como HPV, está relacionada à maioria dos casos da doença.

As diretrizes brasileiras atualizadas passaram a priorizar o teste molecular para detecção do DNA-HPV oncogênico como método de rastreamento no SUS. A recomendação é destinada a mulheres e qualquer pessoa com colo do útero entre 25 e 64 anos que já tenha iniciado a vida sexual. Quando o resultado do teste é negativo, o intervalo previsto nas diretrizes pode chegar a cinco anos, conforme a organização do serviço e a disponibilidade do método. (gov.br)

O Papanicolau, também chamado de exame citopatológico, continua sendo utilizado em locais onde o teste molecular ainda não está disponível. Na orientação tradicional do Ministério da Saúde, o exame é feito anualmente no início do rastreamento e, depois de dois resultados negativos consecutivos, pode passar a ser realizado a cada três anos. A conduta deve considerar o protocolo adotado pelo serviço e o histórico da paciente. (gov.br)

O exame é indicado mesmo quando não há sintomas e também para mulheres que tiveram relações exclusivamente com outras mulheres. A vacinação contra o HPV reduz o risco de infecção, mas não substitui o rastreamento, porque a vacina não protege contra todos os tipos do vírus.

Quando procurar atendimento antes da data do exame

O rastreamento é voltado a pessoas sem sintomas. Sangramento vaginal fora do período menstrual, sangramento após a relação sexual, dor pélvica persistente, corrimento com odor forte, feridas ou verrugas na região genital devem ser avaliados por um profissional de saúde, sem esperar o próximo exame preventivo.

Um resultado alterado não significa, necessariamente, câncer. Dependendo do caso, a equipe pode solicitar repetição do exame, colposcopia ou outros procedimentos para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento.

2. Mamografia para prevenção do câncer de mama

A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama. Ela pode identificar alterações que ainda não são percebidas pelo toque ou por sintomas. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomenda a mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos, quando não há sinais ou sintomas da doença. (gov.br)

Essa recomendação é diferente da investigação diagnóstica. Mulheres de qualquer idade que apresentem caroço persistente, retração da pele ou do mamilo, saída espontânea de secreção pelo mamilo, alteração recente no formato da mama ou ferida que não cicatriza devem procurar atendimento. Nesses casos, o profissional pode solicitar mamografia, ultrassonografia ou outros exames, independentemente da faixa etária.

Mulheres com histórico familiar importante de câncer de mama ou de ovário, mutações genéticas conhecidas, radioterapia prévia na região do tórax ou outros fatores de alto risco podem precisar de acompanhamento diferente. A periodicidade e o tipo de exame devem ser definidos individualmente, pois não se aplicam automaticamente às recomendações de rastreamento da população geral.

O exame clínico das mamas também faz parte da avaliação de saúde, mas não substitui a mamografia quando ela é indicada. Da mesma forma, o autoexame não deve ser usado como único método de rastreamento. Conhecer o próprio corpo ajuda a perceber mudanças, mas qualquer alteração deve ser examinada por um profissional.

3. Vacinação contra o HPV

A vacinação é uma medida preventiva que não deve ser esquecida, especialmente porque o HPV está associado ao câncer do colo do útero e a outros tipos de câncer. No calendário do SUS, a vacina HPV4 é indicada rotineiramente em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Também há estratégias específicas para grupos prioritários, como pessoas imunodeprimidas, pessoas vivendo com HIV ou aids, pacientes oncológicos, vítimas de abuso sexual e usuários de PrEP, conforme as regras do Programa Nacional de Imunizações. (gov.br)

A vacina deve ser tomada mesmo por quem ainda não iniciou a vida sexual, porque a proteção tende a ser maior antes do contato com o vírus. Quem perdeu o prazo da vacinação deve procurar uma sala de vacina para verificar se se enquadra em alguma estratégia de resgate ou grupo prioritário. A caderneta de vacinação ajuda a confirmar as doses já recebidas, mas a ausência do documento não impede a busca por orientação no SUS. (gov.br)

4. Testes para infecções sexualmente transmissíveis

A prevenção da saúde sexual inclui testagem e tratamento das infecções sexualmente transmissíveis, como HIV, sífilis e hepatites virais. A necessidade e a periodicidade dos testes dependem da vida sexual, do uso de preservativo, de novas parcerias, da ocorrência de exposição de risco, da gestação e de outros fatores.

Mulheres grávidas devem fazer os exames recomendados no pré-natal, porque algumas infecções podem afetar a gestação e o bebê quando não são identificadas e tratadas. Pessoas que tiveram relação sexual sem preservativo, romperam o preservativo ou sofreram violência sexual devem procurar atendimento o quanto antes para avaliação, testagem e orientação sobre medidas de prevenção.

Preservativos internos e externos reduzem o risco de diversas infecções, embora não eliminem totalmente a possibilidade de transmissão do HPV, que também pode ocorrer pelo contato com áreas de pele não cobertas. A UBS, os Centros de Testagem e Aconselhamento e outros serviços da rede podem orientar sobre testes, prevenção combinada e vacinação.

5. Pressão arterial, glicemia e colesterol

Nem todo exame preventivo está relacionado à ginecologia. Aferir a pressão arterial e avaliar o risco de diabetes e doenças cardiovasculares também faz parte do cuidado integral com a saúde da mulher. Hipertensão, diabetes e colesterol elevado podem permanecer sem sintomas por bastante tempo e aumentar o risco de infarto, acidente vascular cerebral, doença renal e outras complicações.

A equipe de saúde pode indicar a medição da glicemia, o exame de hemoglobina glicada, o colesterol e outros testes conforme idade, peso, histórico familiar, pressão arterial, gestação anterior, uso de medicamentos e fatores de risco. Não existe uma frequência única que sirva para todas as mulheres. Por isso, a periodicidade deve ser definida durante a consulta ou o atendimento na atenção primária.

Mulheres que tiveram diabetes gestacional, pressão alta na gravidez, pré-eclâmpsia ou parto de bebê com peso elevado devem informar esse histórico, porque essas situações podem aumentar o risco de doenças futuras e exigem acompanhamento adequado.

6. Saúde óssea e menopausa

Com o envelhecimento e, especialmente, após a menopausa, a perda de massa óssea pode se acelerar. A densitometria óssea não é um exame que todas as mulheres precisam realizar em uma idade fixa, mas pode ser indicada quando há fatores de risco, fratura por baixo impacto, uso prolongado de determinados medicamentos, baixo peso, doenças que afetam os ossos ou outras condições clínicas.

A avaliação deve considerar também alimentação, ingestão de cálcio, níveis de vitamina D quando houver indicação, atividade física, risco de quedas, tabagismo e consumo de álcool. O profissional pode solicitar exames laboratoriais ou de imagem de acordo com a situação individual. A automedicação com cálcio, vitamina D ou hormônios não é recomendada.

7. O que não deve ser feito sem indicação

A busca por prevenção não significa realizar todos os exames disponíveis todos os anos. Exames sem indicação podem produzir resultados falso-positivos, gerar ansiedade e levar a procedimentos desnecessários. O INCA informa que não há evidência de benefício superior aos riscos para o rastreamento do câncer de ovário em mulheres assintomáticas. Por isso, ultrassonografia transvaginal e dosagem do marcador CA-125 não devem ser usados como rastreamento de rotina para a população geral. (gov.br)

O Papanicolau também não detecta câncer de ovário. Dor ou inchaço abdominal persistente, sensação de pressão na pelve, perda de apetite, aumento do volume abdominal, alteração urinária ou sintomas digestivos contínuos precisam ser avaliados, mas não significam automaticamente câncer.

Como organizar os cuidados preventivos

Uma forma prática de evitar esquecimentos é manter uma lista com a data do último exame, o resultado, a orientação recebida e a próxima avaliação. Também é importante levar à consulta informações sobre cirurgias, gestações, medicamentos, alergias, histórico familiar de câncer e doenças diagnosticadas.

No SUS, a mulher pode procurar a UBS para atualizar a caderneta de vacinação, verificar a necessidade de rastreamento do colo do útero e das mamas, solicitar avaliação clínica e receber orientações sobre saúde sexual, planejamento reprodutivo, menopausa e prevenção de doenças crônicas. A oferta de exames pode variar conforme o município e a organização da rede, por isso é recomendável confirmar diretamente com a unidade de referência.

O mais importante é não esperar o surgimento de sintomas para cuidar da saúde. Exames preventivos têm objetivos específicos e devem ser realizados na idade e na periodicidade indicadas. Ao mesmo tempo, sinais persistentes ou diferentes do habitual precisam de avaliação rápida, mesmo quando o último exame preventivo apresentou resultado normal.