domingo, 25 de outubro de 2026
SAÚDE

Primeiros socorros: conhecimentos básicos que podem salvar vidas

Conhecimentos básicos de primeiros socorros ajudam a proteger a vítima e podem fazer diferença enquanto o SAMU 192 não chega. Saiba o que fazer e quais atitudes evitar.

Conhecer noções de primeiros socorros pode ajudar a preservar a vida e evitar o agravamento de ferimentos até a chegada de uma equipe especializada. Essas medidas não substituem o atendimento médico, mas permitem proteger a vítima, reconhecer uma emergência e acionar o serviço correto com mais rapidez.

Em situações graves, o SAMU 192 deve ser chamado. O serviço é gratuito e começa o atendimento pelo telefone, com orientações dadas por profissionais enquanto a equipe é mobilizada, quando necessário. O Ministério da Saúde indica o número para ocorrências como problemas cardiorrespiratórios, acidentes com vítimas, queimaduras graves, afogamentos, choques elétricos, intoxicações, convulsões e suspeita de infarto ou acidente vascular cerebral. (gov.br)

Antes de ajudar, proteja a cena

O primeiro passo é verificar se o local oferece risco para quem presta socorro. Fios energizados, incêndios, trânsito, vazamento de gás, produtos químicos, desabamentos e violência podem transformar o socorrista em uma segunda vítima.

Se houver perigo, mantenha distância e acione o serviço de emergência. Quando a cena estiver segura, observe quantas pessoas precisam de ajuda, verifique se a vítima responde aos chamados e identifique sinais de respiração normal. Sempre que possível, use luvas descartáveis ou outra barreira para evitar contato com sangue e secreções.

Acione o SAMU 192 o quanto antes em situações com risco de morte, possibilidade de sequelas ou sofrimento intenso. Informe o endereço completo, pontos de referência, número de vítimas, estado de consciência e os riscos existentes no local. Não desligue até receber autorização do atendente e siga as orientações do médico regulador. (gov.br)

Parada cardiorrespiratória: quando iniciar as compressões

Uma pessoa pode estar em parada cardiorrespiratória quando não responde e não respira normalmente, ou apresenta apenas respiração irregular e agônica. Nessa situação, peça ajuda, ligue para o 192 e coloque o telefone no viva-voz para receber instruções.

Se a vítima estiver deitada, posicione-a de costas sobre uma superfície firme. Coloque as duas mãos no centro do peito, mantenha os braços estendidos e faça compressões fortes e rápidas, permitindo que o tórax retorne completamente após cada movimento. As orientações de treinamento de emergência utilizam ritmo de aproximadamente 100 a 120 compressões por minuto. (defesacivil.pr.gov.br)

Continue até a chegada do socorro, a retomada de sinais de vida ou a impossibilidade física de prosseguir. Se houver um desfibrilador externo automático disponível e alguém souber utilizá-lo, siga as instruções do aparelho. A prioridade é reduzir o tempo sem circulação e manter a comunicação com o serviço de emergência.

Engasgo: como agir em adultos e crianças

Quando a pessoa consegue tossir, falar ou respirar, incentive a tosse e observe sua evolução. Não introduza os dedos na boca para tentar retirar algo que não esteja visível, pois isso pode empurrar o objeto ainda mais para dentro.

Se a vítima não consegue falar, tossir ou respirar, apresenta tosse fraca ou leva as mãos ao pescoço, trata-se de uma obstrução grave das vias aéreas. Para pessoas conscientes, orientações recentes recomendam alternar cinco golpes firmes nas costas com cinco compressões, conforme a idade e a condição da vítima. Em adultos e crianças maiores, as compressões são abdominais; em bebês com menos de 1 ano, são torácicas. (seguranca.pr.gov.br)

Em gestantes ou pessoas com obesidade, a compressão abdominal pode não ser adequada; nesses casos, o atendimento deve seguir a orientação do 192, com cuidado para não causar lesões. Se a vítima perder a consciência, coloque-a no chão, acione novamente o serviço de emergência e esteja preparado para iniciar compressões torácicas caso não respire normalmente.

Não ofereça água, comida ou qualquer objeto para a pessoa engasgada. Mesmo depois que o objeto for expelido, é recomendável buscar avaliação médica quando houver dor, tosse persistente, dificuldade respiratória ou suspeita de lesão.

Queimaduras: resfriar e proteger a área

Em uma queimadura térmica, afaste a vítima da fonte de calor sem colocar sua própria segurança em risco. Retire anéis, relógios, pulseiras e outras peças próximas da região atingida antes que o inchaço aumente, mas não puxe roupas grudadas na pele.

Resfrie a área com água corrente limpa. Depois, cubra o local com um pano limpo ou compressa não aderente. Não fure bolhas, não arranque a pele e não aplique pasta de dente, pó de café, manteiga, óleo, pomadas ou receitas caseiras. Esses produtos podem contaminar a lesão e dificultar a avaliação profissional. (bvsms.saude.gov.br)

Acione o SAMU 192 ou procure atendimento imediato quando a queimadura for extensa, profunda, atingir face, mãos, pés, genitais ou articulações, tiver sido causada por eletricidade ou produto químico, ou vier acompanhada de dificuldade para respirar. Em acidentes elétricos, desligue a fonte de energia antes de tocar na vítima.

Sangramentos e ferimentos

Em caso de sangramento externo, coloque uma compressa ou pano limpo diretamente sobre o ferimento e faça pressão contínua. Se o tecido ficar encharcado, coloque outro por cima, sem retirar o primeiro. Use luvas ou uma barreira improvisada para evitar contato direto com o sangue.

Não lave ferimentos profundos durante um sangramento intenso, não tente retirar objetos cravados e não faça torniquete por conta própria. Ferimentos extensos, cortes profundos, sangramento que não cessa após a compressão ou sinais de desmaio exigem atendimento urgente.

Em acidentes de trânsito, não movimente a vítima sem necessidade, especialmente se houver suspeita de lesão na coluna. Também não retire o capacete de motociclistas, não ofereça comida ou bebida e não tente colocar ossos ou articulações no lugar. Sinalize a área e aguarde as orientações do serviço de emergência.

Convulsões: proteger sem conter

Durante uma crise convulsiva, afaste móveis, objetos cortantes, fogo e outros riscos. Proteja a cabeça com algo macio, afrouxe roupas apertadas e não tente segurar os movimentos da pessoa. Também não coloque colher, pano, dedo ou qualquer outro objeto na boca.

Quando for possível fazê-lo com segurança, vire a vítima de lado, principalmente após o fim dos movimentos, para facilitar a respiração e reduzir o risco de aspiração de secreções ou vômito. Cronometre a duração da crise e permaneça ao lado da pessoa até que ela recupere a consciência. (cidadao.saude.al.gov.br)

Chame o SAMU 192 se a convulsão durar mais de cinco minutos, ocorrerem crises repetidas, a pessoa não recuperar a consciência, estiver grávida, tiver sofrido trauma ou apresentar dificuldade para respirar. Não ofereça água, alimentos ou medicamentos durante ou logo após a crise.

Desmaios, intoxicações e afogamentos

Se alguém desmaiar, deite a pessoa em local seguro e verifique se ela respira normalmente. Não ofereça líquidos ou alimentos enquanto estiver inconsciente e não permita que se levante de imediato após recuperar os sentidos. Se não voltar rapidamente à consciência, houver dificuldade respiratória, dor no peito, convulsão ou queda com trauma, acione o 192.

Em casos de intoxicação ou envenenamento, não provoque vômito e não ofereça leite, água, carvão ou medicamentos sem orientação profissional. Guarde a embalagem ou o nome do produto, se for seguro fazê-lo, e informe essas informações ao serviço de emergência.

Em afogamentos, a prioridade é retirar a vítima da água sem colocar o socorrista em risco. Depois, verifique a respiração e acione o SAMU 192. Se a pessoa não respirar normalmente, inicie as compressões torácicas conforme as orientações recebidas pelo telefone.

O que não fazer em uma emergência

  • Não agir em uma área perigosa sem antes eliminar ou afastar o risco.
  • Não movimentar vítimas de acidentes sem necessidade, salvo diante de perigo imediato.
  • Não oferecer comida, bebida ou medicamentos a uma pessoa inconsciente ou confusa.
  • Não aplicar substâncias caseiras em queimaduras e ferimentos.
  • Não colocar objetos na boca de alguém em convulsão.
  • Não desligar o telefone durante o chamado de emergência antes de receber autorização.

Como se preparar para prestar primeiros socorros

Além de conhecer orientações básicas, é importante fazer um curso prático de primeiros socorros com instituição habilitada. Treinamentos presenciais ajudam a aprender compressões torácicas, uso de desfibrilador, técnicas de desengasgo, controle de sangramentos e cuidados específicos com crianças e bebês.

Em casa, mantenha um kit simples com luvas descartáveis, compressas, gaze, curativos, esparadrapo, tesoura sem ponta e solução para limpeza de ferimentos. O kit não substitui atendimento médico e não deve conter medicamentos para uso em terceiros sem orientação profissional.

Também deixe acessíveis os números de emergência: SAMU 192 para urgências médicas e Corpo de Bombeiros 193 para situações como incêndios, salvamentos, acidentes com pessoas presas e ocorrências que exijam resgate especializado. Em qualquer emergência, manter a calma, proteger a cena e seguir as instruções dos profissionais são atitudes que podem salvar vidas. (gov.br)