O beach tennis no Rio Grande do Norte deixou de ser uma atividade concentrada em poucos clubes e passou a ocupar espaço em arenas privadas, praias, escolas, eventos esportivos e projetos voltados ao lazer. A modalidade, disputada em quadras de areia e com raquetes próprias, vem atraindo praticantes de diferentes idades e níveis de experiência.
O movimento é mais visível em Natal e na região metropolitana, mas também alcança municípios do litoral e do interior. Torneios e festivais já foram realizados ou anunciados em localidades como Parnamirim, Mossoró, Galinhos, Touros e Assú, indicando que o esporte passou a integrar o calendário de atividades físicas e eventos dessas cidades.
Em 2022, a Federação Potiguar de Tênis e Beach Tennis estimava cerca de 5 mil praticantes no estado, dos quais aproximadamente 4 mil estavam em Natal. O número foi divulgado em reportagem sobre o avanço da modalidade no Rio Grande do Norte e ajuda a dimensionar a expansão registrada desde então. (tribunadonorte.com.br)
Modalidade combina exercício e convivência
Parte da popularidade do beach tennis está na combinação entre atividade física, ambiente descontraído e possibilidade de prática em grupo. As partidas podem ser disputadas em duplas ou individualmente, e as regras básicas são acessíveis para quem está começando. A dinâmica exige deslocamento constante, reflexo e controle da bola, mas não depende exclusivamente de experiência anterior em tênis ou outro esporte de raquete.
Esse perfil favorece a entrada de iniciantes. Muitas arenas oferecem aulas experimentais, treinamentos por nível e horários destinados a alunos que ainda não participaram de competições. A convivência entre praticantes também contribui para a formação de grupos e para a permanência de novos atletas na modalidade.
Em Natal, o beach tennis chegou a ser incorporado à programação de atividades corporais de uma escola particular. A experiência mostrou que o esporte também passou a despertar interesse entre crianças e adolescentes, além do público adulto. (ge.globo.com)
Natal concentra a maior parte da estrutura
A capital potiguar reúne a maior quantidade de arenas e grupos de praticantes do estado. O crescimento ocorreu tanto em espaços privados quanto em áreas associadas ao lazer e ao turismo, especialmente em regiões próximas às praias.
Na Praia de Ponta Negra, a Prefeitura do Natal anunciou um complexo esportivo com 12 quadras destinadas a modalidades como vôlei de praia, futevôlei e beach tennis. O projeto prevê também iluminação, bancos, telas de proteção e paisagismo, com investimento informado de R$ 232.615,77. A proposta foi apresentada como parte da ampliação da oferta de equipamentos esportivos na faixa de areia. (diariodorn.com.br)
A criação de estruturas permanentes tende a ampliar o acesso ao esporte e a reduzir a dependência de espaços particulares. Também pode favorecer a realização de competições, aulas abertas e atividades voltadas à iniciação esportiva, desde que haja manutenção, regras de uso e programação regular.
Pirangi se tornou palco de grandes torneios
Na região metropolitana, a Praia de Pirangi, em Parnamirim, aparece entre os principais pontos de realização de eventos da modalidade. O local recebeu torneios durante o verão, com participação de atletas de diferentes categorias.
Um torneio realizado em Pirangi reuniu cerca de 300 atletas, segundo a organização. Outro evento, o Circuito + Band Verão, registrou mais de 470 inscrições distribuídas em 30 categorias e contou com pontuação para rankings da Confederação Brasileira de Beach Tennis e da Federação Norte-Rio-Grandense de Beach Tennis. (unimed.coop.br) (cbbtennis.com.br)
A realização de competições desse porte movimenta não apenas os atletas. O calendário envolve professores, árbitros, equipes de montagem, fornecedores de equipamentos, profissionais de saúde e estabelecimentos comerciais localizados no entorno das arenas e das praias.
O verão também contribui para a visibilidade do esporte. A presença de turistas e moradores nas áreas litorâneas amplia o público dos torneios e cria oportunidades para aulas, demonstrações e atividades recreativas associadas às competições.
Interior amplia participação no calendário
Embora Natal e Parnamirim concentrem parte importante da estrutura, o beach tennis também passou a aparecer em cidades do interior e em municípios turísticos. Em Mossoró, eventos relacionados à modalidade foram realizados com participação de atletas de outras cidades, incluindo grupos vindos da capital.
A região de Tibau, no litoral oeste, também aparece em regulamentos e calendários de competições estaduais. A inclusão do município mostra como as praias e áreas de lazer do interior podem servir de base para torneios e encontros esportivos, mesmo fora do eixo da capital.
Em Galinhos, um torneio recebeu apoio da prefeitura, da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte e da federação estadual, com participação anunciada de atletas de alto nível do Brasil e da Europa. A competição reforçou a utilização do esporte como parte da programação turística e esportiva do município. (galinhos.rn.gov.br)
Touros também incluiu o beach tennis na programação de um festival de emancipação, com partidas de duplas previstas em arena local. Em Assú, a modalidade foi inserida entre as disputas de um evento de verão realizado em uma arena montada no leito do Rio Açu. (touros.rn.gov.br) (assu.rn.gov.br)
Competições ajudam a profissionalizar o esporte
O aumento do número de torneios cria uma estrutura mais organizada para quem deseja competir. As categorias costumam ser divididas por nível técnico, faixa etária e formato de disputa, permitindo que iniciantes participem sem enfrentar diretamente atletas de alto rendimento.
Além de estimular a competição, os eventos ajudam a criar referências para professores e academias. A existência de rankings, regulamentos e entidades responsáveis pela chancela dos torneios contribui para padronizar procedimentos e ampliar a integração entre atletas de diferentes municípios.
O regulamento estadual da modalidade prevê a organização de torneios chancelados pela Federação Potiguar de Tênis e Beach Tennis em diversas cidades do Rio Grande do Norte. O documento também relaciona etapas em destinos litorâneos, como Tibau, reforçando a presença do esporte no calendário regional. (tenis-integrado-prod.s3.amazonaws.com)
Mesmo com o avanço, a expansão exige cuidados. A prática em areia pode aumentar a sobrecarga em tornozelos, joelhos e panturrilhas quando não há adaptação gradual. Aquecimento, orientação profissional, hidratação e escolha adequada de horários são medidas importantes, principalmente em períodos de calor intenso.
Desafio é garantir acesso além das arenas privadas
O crescimento do beach tennis no estado ocorre principalmente por meio de academias e arenas particulares. Esses espaços oferecem equipamentos, professores e organização de treinos, mas podem representar um custo que limita a participação de parte da população.
A ampliação de quadras públicas ou vinculadas a projetos sociais pode ajudar a democratizar o acesso. Para isso, não basta instalar estruturas. É necessário definir horários, responsáveis pela manutenção, regras de utilização e atividades regulares para crianças, jovens, idosos e pessoas com deficiência.
Também é preciso considerar a qualidade da areia, a iluminação, a segurança e a disponibilidade de materiais. Sem manutenção, as quadras podem perder condições de uso e deixar de cumprir a função de estimular a prática esportiva.
Projetos apoiados por recursos públicos ou por entidades esportivas podem cumprir papel relevante nesse processo. Em 2024, um projeto denominado Circuito Rota do Sol de Beach Tennis foi aprovado no âmbito de uma seleção esportiva estadual, com valor informado de R$ 94.076. O registro aparece no Diário Oficial do Estado. (webdisk.diariooficial.rn.gov.br)
Esporte pode fortalecer turismo e economia local
No Rio Grande do Norte, a relação entre beach tennis e turismo é favorecida pela extensão do litoral e pela disponibilidade de áreas de areia. Competições realizadas em praias podem atrair atletas, familiares e equipes técnicas durante fins de semana e períodos de férias.
Esse fluxo beneficia hotéis, pousadas, restaurantes, serviços de transporte e comércio local. O impacto, no entanto, depende da capacidade de cada município para receber os visitantes e organizar o evento sem comprometer o uso cotidiano da praia.
Para as cidades, a modalidade também funciona como ferramenta de promoção de destinos. Torneios em locais como Pirangi, Galinhos, Touros e Tibau associam a prática esportiva à paisagem litorânea e podem ampliar a visibilidade desses municípios no calendário regional.
A tendência é que o beach tennis continue crescendo no estado à medida que novas arenas sejam abertas, competições sejam descentralizadas e projetos públicos ampliem a oferta de quadras. O desafio será transformar a popularidade em uma política esportiva duradoura, com acesso mais amplo, formação de profissionais e manutenção das estruturas.
Com presença cada vez maior em Natal, na região metropolitana, no litoral e em cidades do interior, o beach tennis já ocupa um espaço relevante entre as modalidades esportivas praticadas no Rio Grande do Norte. A expansão indica que o esporte deixou de ser apenas uma novidade das praias e passou a integrar a rotina de lazer, treinamento e competição de muitos potiguares.


