segunda-feira, 26 de outubro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a exposição solar no litoral potiguar: veja como proteger a pele

Quem frequenta as praias do Rio Grande do Norte deve adotar cuidados contra a exposição solar durante todo o ano. Veja como usar o protetor, escolher roupas, proteger crianças e reconhecer sinais de queimadura e insolação.

Os cuidados com a exposição solar no litoral potiguar devem fazer parte da rotina de quem frequenta as praias do Rio Grande do Norte, trabalha ao ar livre ou pratica atividades como caminhada, corrida, pesca e esportes náuticos. O excesso de radiação ultravioleta pode provocar queimaduras, envelhecimento precoce da pele, lesões nos olhos, desidratação, insolação e aumentar o risco de câncer de pele ao longo da vida.

O calor ou a presença de nuvens não são sinais de que a pele está protegida. A radiação ultravioleta pode atingir a pele mesmo em dias nublados, e a água, a areia e outras superfícies claras podem intensificar a exposição. Por isso, o cuidado deve combinar sombra, roupas, chapéu, óculos de sol e protetor solar.

As orientações abaixo têm caráter educativo e seguem recomendações do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer. Pessoas com doenças de pele, histórico de câncer, uso de medicamentos que aumentam a sensibilidade ao sol ou sintomas persistentes devem procurar avaliação profissional.

Evite o sol entre 10h e 16h

O principal cuidado é reduzir a exposição direta entre 10h e 16h, período em que a radiação solar tende a ser mais intensa. Na praia, não basta permanecer embaixo do guarda-sol por muitas horas: a sombra diminui a exposição, mas não bloqueia completamente a radiação refletida pela areia e pela água.

Quando for necessário permanecer ao ar livre nesse intervalo, procure áreas cobertas, alterne períodos de exposição com momentos de descanso na sombra e use proteção física. A recomendação é especialmente importante para crianças, idosos, pessoas de pele clara, trabalhadores ao ar livre e quem não está habituado à exposição prolongada.

Também é importante planejar passeios e atividades para horários de menor intensidade solar, sem transformar a mudança de horário em uma falsa sensação de segurança. Antes das 10h e depois das 16h, ainda pode haver exposição relevante, especialmente em atividades longas. O uso de proteção continua sendo necessário.

Como aplicar o protetor solar corretamente

O protetor solar deve ser aplicado antes de sair de casa, cobrindo as áreas que ficarão expostas. A aplicação deve incluir rosto, pescoço, orelhas, nuca, braços, mãos, pernas, pés e outras regiões descobertas. Os lábios também precisam de proteção específica, com produto indicado para essa finalidade.

O produto deve ser usado conforme as instruções do rótulo. De modo geral, é necessário aplicar uma quantidade suficiente e reaplicar durante a exposição solar, normalmente a cada duas horas. A reaplicação deve ocorrer antes disso quando houver mergulho, suor intenso, contato com água, uso de toalha ou atividade física.

Mesmo os produtos classificados como resistentes à água não permanecem indefinidamente na pele. Essa resistência não significa proteção permanente. Depois de entrar no mar, na piscina ou de suar muito, a pessoa deve secar-se sem esfregar excessivamente a pele e reaplicar o produto.

O fator de proteção solar, conhecido como FPS, informa principalmente o nível de proteção contra a radiação UVB nas condições de uso testadas. A escolha deve considerar a orientação do fabricante, o tipo de pele e a duração da exposição. Para situações de praia e exposição intensa, o Ministério da Saúde orienta o uso de protetor solar com FPS 30 ou mais em suas recomendações sobre insolação.

O protetor solar não deve ser tratado como autorização para permanecer mais tempo sob o sol. Ele é apenas uma parte da proteção e deve ser combinado com sombra, roupas, chapéu e óculos adequados.

Use roupas, chapéu e óculos de proteção

Roupas leves ajudam a cobrir a pele e podem reduzir a necessidade de exposição direta. Camisas de mangas longas, calças, saídas de praia e peças com proteção UV são alternativas úteis para quem passará muitas horas ao ar livre. O tecido deve ser confortável e permitir a ventilação do corpo.

Chapéus de abas largas protegem regiões que costumam ficar esquecidas, como orelhas, nuca e parte do rosto. Bonés oferecem proteção mais limitada e deixam algumas áreas expostas. Em atividades no mar ou em locais com muito vento, escolha acessórios que permaneçam firmes e não dificultem a visão.

Os óculos de sol devem oferecer proteção contra raios ultravioleta. Modelos apenas escuros, sem proteção adequada, não substituem os óculos apropriados. A exposição excessiva também pode prejudicar os olhos, por isso o acessório deve ser usado durante a permanência na praia e em outras atividades externas.

Hidrate-se e reconheça os sinais de insolação

O calor, a atividade física e a permanência prolongada sob o sol aumentam a perda de líquidos. Para reduzir o risco de desidratação, beba água regularmente e não espere a sede aparecer. Água de coco e outras bebidas podem fazer parte da hidratação, mas bebidas alcoólicas exigem atenção porque podem favorecer a desidratação e prejudicar a percepção dos sinais do corpo.

Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção especial. Em dias quentes, evite atividades físicas intensas durante os horários de maior calor e faça pausas frequentes em locais ventilados e protegidos.

Sintomas como dor de cabeça, tontura, fraqueza, náusea, cansaço intenso, pele muito quente e mal-estar podem indicar que o corpo está sofrendo com o calor. A pessoa deve ser retirada do sol, levada para um local fresco, receber líquidos se estiver consciente e capaz de engolir e ser observada.

Confusão mental, desmaio, convulsão, dificuldade para respirar, vômitos persistentes ou piora rápida exigem atendimento médico imediato. Nesses casos, não se deve tentar tratar a situação apenas em casa.

O que fazer em caso de queimadura solar

A queimadura solar pode causar vermelhidão, ardência, sensibilidade, dor, descamação e, nos casos mais intensos, bolhas. Ao perceber os primeiros sinais, interrompa a exposição ao sol e mantenha a pele protegida até a recuperação.

Banhos com água fresca podem aliviar o desconforto. A pele deve ser seca com cuidado, sem esfregar. A ingestão de líquidos ajuda a evitar a desidratação. Não estoure bolhas, não retire a pele que está descamando e não aplique produtos caseiros, álcool, pasta de dente ou substâncias irritantes.

Procure atendimento de saúde quando houver bolhas extensas, dor intensa, febre, calafrios, vômitos, sinais de infecção, queimadura em crianças pequenas ou atingimento de áreas sensíveis, como olhos, boca e genitais. Pessoas com doenças crônicas ou condições que reduzam a imunidade também devem buscar orientação com maior rapidez.

Crianças precisam de proteção reforçada

A infância é uma fase importante para a prevenção dos danos acumulados da radiação solar. Crianças devem permanecer o máximo possível na sombra, usar roupas que cubram a pele, chapéu e óculos apropriados, além de protetor solar nas áreas expostas, conforme a indicação do produto e a orientação de um profissional de saúde.

Bebês muito pequenos exigem cuidados específicos. A exposição direta deve ser evitada, e o uso de produtos na pele deve seguir as orientações do pediatra ou do fabricante. Em qualquer idade, a criança não deve ficar sozinha na praia, dentro da água ou em ambientes quentes.

É importante reaplicar o protetor depois de mergulhos, brincadeiras com água e transpiração intensa. A supervisão de um adulto deve incluir não apenas a segurança na água, mas também o tempo de exposição ao sol e a ingestão de líquidos.

Quem trabalha ao ar livre também precisa se proteger

Profissionais que atuam em praias, obras, pesca, turismo, transporte, agricultura e outras atividades externas podem acumular exposição solar durante a jornada. Sempre que possível, tarefas devem ser organizadas para reduzir a permanência no sol nos horários de maior intensidade.

Medidas como pausas em locais cobertos, acesso a água potável, uso de chapéu de aba larga, camisa de manga longa, calça, óculos e protetor solar ajudam a diminuir os riscos. O protetor precisa ser reaplicado ao longo do dia, especialmente quando há suor ou contato com água.

A proteção deve ser incorporada à rotina de trabalho, e não usada apenas em dias de lazer. A exposição repetida sem proteção pode produzir danos cumulativos mesmo quando não há queimadura visível.

Observe manchas, pintas e feridas que não cicatrizam

Além de evitar queimaduras, é importante observar a própria pele. Manchas que coçam, descamam ou sangram, pintas que mudam de tamanho, formato ou cor e feridas que não cicatrizam devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

O câncer de pele pode surgir em áreas frequentemente expostas, como rosto, pescoço e orelhas, mas também pode aparecer em outras partes do corpo. A detecção precoce aumenta as possibilidades de tratamento, por isso não é recomendado esperar que uma lesão desapareça sozinha.

Quem tem histórico pessoal ou familiar de câncer de pele, pele muito clara, albinismo, vitiligo, uso de imunossupressores ou exposição ocupacional frequente deve conversar com um profissional sobre a necessidade de acompanhamento regular.

Checklist para um dia de praia no Rio Grande do Norte

  • Aplicar o protetor solar antes de sair e levar o produto para reaplicação.
  • Usar protetor também nas orelhas, nuca, mãos, pés e lábios.
  • Levar chapéu ou boné, óculos com proteção UV, roupas leves e guarda-sol.
  • Evitar a exposição direta entre 10h e 16h.
  • Beber água ao longo do dia e moderar o consumo de bebidas alcoólicas.
  • Fazer pausas regulares na sombra, especialmente durante atividades físicas.
  • Reaplicar o protetor depois de entrar na água ou suar intensamente.
  • Não permanecer na praia se houver tontura, fraqueza, náusea ou mal-estar.
  • Procurar atendimento diante de queimaduras extensas, bolhas importantes ou sinais de insolação.

Com planejamento e proteção adequada, é possível aproveitar o litoral potiguar com menor risco à saúde. A principal medida é evitar a exposição excessiva, lembrando que o protetor solar complementa, mas não substitui, a sombra, as roupas e o cuidado com a hidratação.