Em meio à expansão urbana de Natal, uma faixa contínua de dunas e Mata Atlântica mantém características naturais que ajudam a explicar a paisagem e o equilíbrio ambiental da capital potiguar. É o Parque Estadual Dunas do Natal Jornalista Luiz Maria Alves, mais conhecido como Parque das Dunas.
Criado em 22 de novembro de 1977, o parque ocupa uma área de 1.172 hectares e foi a primeira unidade de conservação ambiental implantada no Rio Grande do Norte. Administrado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), o espaço combina preservação, pesquisa científica, educação ambiental e visitação pública.
Localizado na área urbana de Natal e associado à paisagem da Via Costeira, o Parque das Dunas funciona como uma espécie de corredor natural dentro da cidade. Ao mesmo tempo em que protege ecossistemas, oferece aos moradores e visitantes a possibilidade de contato com a natureza sem a necessidade de deixar a capital.
Uma área protegida desde a década de 1970
A criação do Parque das Dunas ocorreu em um período de crescimento acelerado de Natal e de ocupação de áreas próximas ao litoral. A unidade foi estabelecida pelo Decreto Estadual nº 7.237, de 22 de novembro de 1977, com o objetivo de preservar o conjunto de dunas, a vegetação e a fauna existentes na região.
A implantação da unidade representou um marco na política ambiental do estado. Desde então, o parque passou a ser tratado como área estratégica para a conservação dos recursos naturais e para a proteção da paisagem litorânea da capital.
O nome oficial presta homenagem ao jornalista Luiz Maria Alves, reconhecido por sua atuação em defesa da conservação ambiental no Rio Grande do Norte. No uso cotidiano, porém, prevalece a denominação Parque das Dunas. A área destinada à visitação é conhecida como Bosque dos Namorados, principal porta de entrada para as atividades abertas ao público.
Dunas e Mata Atlântica em uma mesma paisagem
O Parque das Dunas é formado por um conjunto de dunas fixas e móveis, vales interdunares e trechos de vegetação associados ao bioma Mata Atlântica. A cobertura vegetal exerce papel importante na estabilização do solo e na proteção das formações arenosas.
Entre as espécies vegetais encontradas na área estão o pau-brasil, o pau-d’arco-roxo, a peroba e a sucupira, além de bromélias, orquídeas e outras plantas adaptadas às condições de solo e clima do litoral nordestino. Levantamentos divulgados por órgãos públicos apontam a presença de mais de 270 espécies de árvores no parque.
A diversidade vegetal também cria condições para a existência de diferentes espécies de animais. O local abriga mamíferos, aves, répteis, anfíbios e uma grande variedade de insetos. Entre os registros mencionados em materiais institucionais estão saguis, raposas, timbus, nambus, gaviões, cobras e outros animais silvestres.
A observação da fauna, no entanto, deve ocorrer de forma responsável. A presença de animais não significa que o visitante possa alimentá-los, persegui-los ou tentar capturá-los. A manutenção da distância e o respeito às regras da unidade são medidas essenciais para reduzir impactos sobre a vida silvestre.
Importância para a água e o clima de Natal
Além do valor paisagístico, o Parque das Dunas desempenha funções ambientais que alcançam toda a cidade. A vegetação e o solo arenoso contribuem para a infiltração da água da chuva e para a recarga de aquíferos subterrâneos, fontes importantes para o abastecimento de Natal.
A preservação das dunas também ajuda a conter o deslocamento da areia e a manter a estabilidade do relevo. A cobertura vegetal reduz a erosão, protege o solo e cria condições para a continuidade dos processos naturais que formam e remodelam o ambiente dunar.
Outro serviço ambiental associado ao parque é a contribuição para o equilíbrio do microclima. Áreas verdes extensas ajudam a reduzir a temperatura local, favorecem a circulação de umidade e colaboram para a melhoria da qualidade do ar. Em uma capital marcada pela urbanização e pelo trânsito, a presença de uma grande área protegida tem efeitos que ultrapassam os limites do próprio parque.
A relevância ecológica do Parque das Dunas também é reconhecida no âmbito da conservação da Mata Atlântica. Em 1994, a área foi incluída na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a Unesco.
Bosque dos Namorados concentra a visitação
O Bosque dos Namorados é o setor mais conhecido do Parque das Dunas e concentra a infraestrutura destinada aos visitantes. A área reúne espaços de convivência, equipamentos de apoio e acesso às trilhas interpretativas que percorrem trechos da unidade de conservação.
As trilhas permitem observar diferentes formações de vegetação, reconhecer espécies nativas e compreender a relação entre dunas, solo, água e biodiversidade. O percurso também apresenta mudanças de relevo e de cobertura vegetal, o que torna a caminhada uma experiência de educação ambiental.
Entre os roteiros tradicionalmente associados ao parque estão as trilhas Perobinha, Peroba e Ubaia-Doce, com diferentes extensões e níveis de dificuldade. A primeira é indicada para percursos mais curtos; as demais exigem maior disposição física e acompanhamento conforme as orientações da administração.
Os trajetos podem sofrer mudanças em razão de condições climáticas, manutenção, atividades de manejo ou regras de segurança. Por isso, é recomendável confirmar previamente as informações de visitação e os procedimentos para participação nas trilhas nos canais oficiais do Idema ou do próprio parque.
Pesquisa e educação ambiental
O Parque das Dunas não é apenas um espaço de lazer. A unidade também abriga atividades de pesquisa, monitoramento e educação ambiental. A produção de conhecimento sobre a fauna, a flora, o solo e os recursos hídricos contribui para orientar ações de preservação e recuperação.
O trabalho educativo aproxima a população dos objetivos de uma unidade de conservação de proteção integral. Palestras, visitas orientadas, exposições, oficinas e atividades com estudantes ajudam a explicar por que o acesso é controlado e por que determinadas práticas não são permitidas.
O parque mantém ainda ações relacionadas à produção de mudas e à recuperação de áreas degradadas. Essas iniciativas podem apoiar o reflorestamento com espécies nativas e a recomposição da cobertura vegetal, especialmente em locais afetados por ocupações, circulação inadequada ou outros impactos.
A pesquisa científica também é importante para acompanhar mudanças no ambiente. O monitoramento permite identificar alterações na vegetação, na presença de animais, na dinâmica das dunas e na qualidade dos recursos naturais. Com essas informações, a administração pode aperfeiçoar o manejo da unidade.
Regras ajudam a conservar o parque
O contato com a natureza depende de normas que limitam o uso da área. O visitante deve permanecer nos caminhos autorizados, não retirar plantas, não alimentar animais e não deixar resíduos. Também é necessário evitar ruídos excessivos e qualquer atitude que possa provocar incêndios ou perturbar a fauna.
As restrições não têm como objetivo afastar o público, mas proteger um ambiente sensível. Trilhas abertas sem controle podem causar compactação do solo, destruição de plantas e erosão. A circulação fora dos percursos permitidos também pode afetar ninhos, tocas e locais de reprodução.
Outro cuidado é não confundir o Parque das Dunas com outras áreas verdes de Natal que possuem nomes semelhantes ou funções distintas. O Parque Estadual Dunas do Natal é uma unidade de conservação estadual, enquanto o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte é uma unidade municipal localizada em outra região da capital.
Patrimônio natural dentro da capital
A existência do Parque das Dunas mostra que a conservação ambiental pode conviver com a vida urbana quando há planejamento e controle do uso do território. A unidade protege uma paisagem que, em muitas cidades litorâneas, foi fragmentada pela ocupação imobiliária e pela abertura de vias.
Em Natal, as dunas preservadas formam uma transição entre a cidade, a vegetação e o litoral. A proximidade com a Via Costeira reforça o contraste entre a área urbanizada e o ambiente natural, tornando o parque um dos principais símbolos ambientais do Rio Grande do Norte.
Para moradores, o local representa uma alternativa de lazer, caminhada e contemplação. Para pesquisadores, oferece um campo de estudo sobre ecossistemas costeiros. Para estudantes, funciona como espaço de aprendizagem fora da sala de aula. Para a cidade, significa proteção de água, solo, biodiversidade e qualidade ambiental.
Essa combinação explica por que o Parque das Dunas permanece como uma das áreas naturais mais importantes de Natal. A conservação do espaço depende da atuação do poder público, da fiscalização, da pesquisa e, sobretudo, do comportamento dos visitantes. Preservar o parque é manter dentro da capital um dos principais remanescentes de natureza do litoral potiguar.





