domingo, 25 de outubro de 2026
Biografias

Paula Litaiff estrutura carreira entre informação pública, pesquisa e proteção no trabalho de campo

A trajetória de Paula Litaiff reúne reportagem, comentário político, gestão editorial, pesquisa sobre mulheres indígenas Kokama e participação em debates sobre segurança de jornalistas na Amazônia.
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A trajetória de Paula Litaiff reúne diferentes etapas da comunicação: o trabalho de repórter em jornais de Manaus, a atuação como comentarista, a colaboração com veículos nacionais, a participação em uma série documental da Netflix, a pesquisa acadêmica e a direção de uma rede de mídia amazônica.

Jornalista amazonense, Paula é mestre em Sociedade e Cultura da Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), fundadora da Rede Cenarium e diretora-geral da Revista Cenarium. Seus perfis institucionais registram cerca de duas décadas de experiência em Comunicação Social.

Natural de Manaus, ela construiu uma carreira ligada à cobertura de temas urbanos, à análise política e à produção de conhecimento sobre a Amazônia. Ao longo desse percurso, também passou a participar de discussões sobre direitos, território, desinformação e segurança de profissionais em áreas de conflito.

Da cobertura urbana à análise política

A formação profissional de Paula começou nas redações dos jornais Diário do Amazonas, A Crítica e Amazonas Em Tempo. Nesses veículos, trabalhou como repórter nas editorias de Polícia, Cidades e Política.

A experiência colocou a jornalista diante de acontecimentos ligados à vida urbana, à segurança pública e às disputas de poder no Amazonas. A passagem por diferentes áreas do noticiário também formou a base de sua atuação posterior como comentarista, editorialista e gestora de projetos de comunicação.

Paula é graduada em Jornalismo e possui formação especializada em Gestão Social: Políticas Públicas e Defesa de Direitos. O perfil divulgado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também registra especialização em Ciências Políticas.

Essas áreas de formação aproximam sua trajetória de temas relacionados às instituições, às desigualdades e às relações entre sociedade e poder. A combinação entre experiência de campo e estudos acadêmicos passou a aparecer tanto em sua produção jornalística quanto na direção editorial.

Rádio, televisão e veículos nacionais

Depois da experiência nos jornais, a atuação de Paula se estendeu a outros formatos. Ela trabalhou como comentarista na TV NC News, na Rádio BandNews e na TV Onda Digital.

Seu currículo registra ainda colaborações com O Globo, Estadão e UOL. Essa circulação conectou a experiência de uma jornalista formada no ambiente regional a veículos voltados a públicos de diferentes partes do país.

O trabalho como comentarista ampliou o espaço ocupado pela interpretação dos acontecimentos. Além da apuração, a carreira passou a envolver a leitura de conjunturas políticas, o acompanhamento do debate público e a elaboração de análises sobre temas que atravessam a sociedade amazônica.

O caso Wallace Souza e a experiência audiovisual

Um dos trabalhos de maior circulação internacional na trajetória de Paula foi sua participação na série documental Bandidos na TV, conhecida em inglês como Killer Ratings, disponibilizada pela Netflix.

A produção aborda o caso Wallace Souza, no Amazonas. Paula participou como uma das profissionais que relataram os acontecimentos à equipe do documentário e contribuiu com a experiência acumulada durante a cobertura jornalística do caso.

A participação aproximou sua atuação de uma produção audiovisual de alcance internacional, sem romper com a origem de seu trabalho: a apuração realizada no contexto da imprensa amazonense e o acompanhamento de fatos ligados à política, à segurança pública e à vida regional.

A criação da Rede Cenarium

Na área de gestão, Paula fundou a Rede Cenarium, sediada na Amazônia, e assumiu a direção-geral da Revista Cenarium. O projeto reúne revista eletrônica, revista impressa, agência de notícias e TV web.

A criação da rede acrescentou à sua atividade a responsabilidade de dirigir equipes, organizar projetos editoriais e definir frentes de cobertura. A atuação passou a combinar a produção jornalística individual com a administração de uma estrutura de comunicação.

A Cenarium aborda questões socioambientais, povos tradicionais, direitos humanos, reportagens investigativas e jornalismo de dados. O conjunto de temas relaciona o trabalho do veículo aos debates sobre o território amazônico e às decisões políticas e econômicas que afetam suas populações.

A rede conta com profissionais em diferentes cidades da Amazônia brasileira. Nesse modelo, a cobertura regional é desenvolvida a partir de uma estrutura que reúne diferentes plataformas e formas de distribuição de conteúdo.

Pesquisa sobre mulheres indígenas Kokama

A produção de Paula também se desenvolveu no ambiente universitário. Ela é coorganizadora da obra Gênero, Trabalho e Lutas na Amazônia, conforme os perfis divulgados pela Abraji e pelo Festival 3i.

O trabalho acadêmico acrescentou à carreira uma dimensão dedicada à elaboração e à circulação de conhecimento sobre questões sociais amazônicas. Sua pesquisa de mestrado foi voltada à resistência de mulheres indígenas Kokama, com atenção às lideranças femininas do Parque das Tribos, em Manaus.

Em junho de 2025, a Ufam divulgou um vídeo documental relacionado à dissertação. O material aproximou a pesquisa universitária da linguagem audiovisual e estabeleceu uma conexão entre investigação acadêmica, registro documental e discussão sobre gênero e povos indígenas.

A pesquisa integra uma trajetória em que a Amazônia aparece não apenas como cenário de cobertura, mas também como objeto de estudo e espaço de produção de conhecimento. A experiência jornalística e a formação em Sociedade e Cultura da Amazônia passaram a conviver em diferentes frentes de trabalho.

Segurança para jornalistas e fontes

Em julho de 2025, Paula participou como palestrante do 20º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, realizado em São Paulo. Ela integrou uma mesa sobre segurança de jornalistas e fontes na Amazônia.

Na ocasião, apresentou experiências e protocolos adotados pela Cenarium em coberturas realizadas em áreas de conflito. O debate tratou da necessidade de avaliar os riscos antes do trabalho de campo e de considerar a experiência dos profissionais enviados a territórios sensíveis.

A participação no congresso relacionou a função de gestora editorial às condições de produção da reportagem. Além da escolha de pautas e da organização das equipes, a atividade de direção envolve a criação de procedimentos para proteger jornalistas e pessoas entrevistadas durante a apuração.

Essa frente passou a fazer parte de sua atuação pública em torno do jornalismo regional. A discussão combina segurança, planejamento de campo e responsabilidade na realização de investigações em áreas que apresentam riscos às equipes.

Produção editorial e reconhecimento profissional

Como autora, Paula mantém produção de entrevistas e editoriais sobre política, democracia, representatividade, questões ambientais e desinformação. Entre os temas presentes em seus textos estão a emergência climática, a participação indígena na política, as desigualdades de gênero e os efeitos da inteligência artificial sobre a informação e o debate eleitoral.

Esses assuntos ampliam o alcance de sua produção para além do noticiário cotidiano. A atividade editorial passa a acompanhar transformações políticas, sociais e tecnológicas que influenciam a circulação de informações e a formação do debate público.

Em 2025, Paula foi indicada ao prêmio 100+ Admirados Jornalistas Brasileiros, promovido pelo Portal dos Jornalistas e pelo informativo Jornalistas&Cia. A indicação integrou o processo de votação da premiação e registrou mais uma etapa de sua trajetória profissional.

Uma carreira com diferentes funções da comunicação

O percurso de Paula Litaiff reúne funções que costumam aparecer em momentos distintos da atividade jornalística. A reportagem está associada à experiência nas redações e à cobertura de Polícia, Cidades e Política. A interpretação aparece no trabalho como comentarista e na produção de entrevistas e editoriais.

A pesquisa acadêmica acrescenta outro modo de investigar a realidade amazônica, enquanto a direção da Rede Cenarium envolve a organização de equipes, plataformas e projetos editoriais. A participação em documentário e a atuação em debates profissionais ampliam ainda mais os formatos de circulação de seu trabalho.

Com a Amazônia como eixo recorrente, a carreira conecta o jornalismo regional a temas de interesse nacional, como direitos humanos, segurança pública, política, clima, povos tradicionais e desinformação. A trajetória também mostra a aproximação entre a prática das redações, a pesquisa universitária e a gestão de uma estrutura de comunicação dedicada à região.

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