domingo, 25 de outubro de 2026
SAÚDE

Saúde no trabalho: hábitos para quem passa muitas horas sentado

Veja hábitos simples para melhorar a saúde no trabalho quando a rotina exige muitas horas sentado, incluindo ajustes na cadeira, posição da tela, pausas e atividade física.

Passar muitas horas sentado faz parte da rotina de quem trabalha em escritório, atende clientes por computador, estuda ou exerce atividades administrativas. Embora a posição pareça confortável, permanecer imóvel por períodos prolongados pode favorecer dores nas costas, rigidez no pescoço, desconforto nos ombros e cansaço ao longo do dia.

A saúde no trabalho depende de mais do que manter uma postura considerada correta. O ambiente, a altura da cadeira e da mesa, a posição da tela, a organização das tarefas e a possibilidade de fazer pausas também influenciam o bem-estar. A recomendação central é evitar permanecer muito tempo na mesma posição e distribuir momentos de movimento ao longo da jornada.

A Organização Mundial da Saúde define comportamento sedentário como períodos de baixo gasto de energia enquanto a pessoa está acordada, como sentar, reclinar ou deitar. A entidade relaciona níveis elevados de sedentarismo a maior risco de problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer, além de recomendar a redução do tempo sedentário e a prática regular de atividade física. (who.int)

Por que ficar sentado por muito tempo pode causar desconforto

O corpo foi feito para alternar movimentos, posições e níveis de esforço. Quando a pessoa permanece sentada por longos períodos, determinados músculos ficam responsáveis por sustentar a postura durante muito tempo, enquanto outras partes do corpo se movimentam pouco.

Esse padrão pode contribuir para sobrecarga na região lombar, tensão no pescoço e nos ombros, formigamentos e sensação de rigidez. A repetição de movimentos, como digitar ou usar o mouse, também pode aumentar o desconforto em mãos, punhos e antebraços, especialmente quando o posto de trabalho não está bem ajustado.

O problema não é apenas sentar. A manutenção prolongada de qualquer posição, inclusive em pé, pode gerar cansaço. Por isso, a melhor estratégia é alternar posturas e tarefas sempre que possível, sem buscar uma posição única que precise ser mantida durante toda a jornada.

Ajuste cadeira, mesa e tela

O primeiro passo é observar se o mobiliário permite trabalhar sem elevar excessivamente os ombros, inclinar o tronco ou esticar os braços para alcançar o teclado e o mouse. A Norma Regulamentadora nº 17, do Ministério do Trabalho e Emprego, estabelece parâmetros para adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores e prevê que o posto facilite a alternância de posturas. (gov.br)

Na prática, alguns ajustes ajudam:

  • mantenha as costas apoiadas no encosto da cadeira;
  • deixe os pés completamente apoiados no chão ou em suporte estável;
  • posicione os joelhos e cotovelos de maneira confortável, sem compressão ou esforço excessivo;
  • mantenha o teclado e o mouse próximos, para evitar que os braços fiquem estendidos;
  • coloque a tela à frente do corpo, reduzindo a necessidade de girar o pescoço;
  • ajuste a altura e a distância do monitor para não trabalhar constantemente com a cabeça inclinada.

Não existe uma configuração idêntica para todas as pessoas. A altura do trabalhador, o tipo de tarefa, o tamanho da tela e o tempo de uso interferem no ajuste. Se o notebook for utilizado durante várias horas, pode ser necessário elevar a tela e usar teclado e mouse separados, desde que isso melhore a posição dos braços e do pescoço.

Faça pausas para mudar de posição

Uma pausa eficiente não precisa significar abandonar as tarefas por muito tempo. Levantar-se para beber água, caminhar até outro setor, ir ao banheiro ou realizar uma atividade fora da tela já ajuda a interromper a imobilidade. Também é possível fazer movimentos leves com os ombros, braços, pernas e tornozelos.

O ideal é não esperar a dor aparecer para se movimentar. Alarmes discretos, lembretes no computador ou a associação entre movimento e tarefas rotineiras podem ajudar. Por exemplo, a pessoa pode se levantar ao concluir uma reunião, antes de iniciar uma nova atividade ou sempre que precisar fazer uma ligação que não exija permanecer diante da tela.

A NR-17 prevê, conforme a situação de trabalho e a avaliação dos riscos, medidas como pausas para recuperação psicofisiológica, alternância de atividades e mudanças na forma de organização da tarefa. A norma também estabelece que as pausas, quando aplicáveis, devem ocorrer fora do posto de trabalho e não podem ser acompanhadas de aumento da cadência individual. (gov.br)

Isso não significa que exista um intervalo único, válido para todas as profissões e jornadas de trabalho. As pausas devem considerar a atividade exercida, o ritmo, a repetição de movimentos, a avaliação ergonômica e as regras específicas aplicáveis ao setor.

Alterne tarefas e posturas

Quando a rotina permitir, intercale atividades que exigem concentração diante da tela com tarefas que envolvam deslocamento, leitura de documentos, reuniões em outros espaços ou organização de materiais. A alternância reduz o tempo contínuo em uma mesma postura e distribui o esforço entre diferentes grupos musculares.

Também é útil variar a forma de realizar algumas tarefas. Uma ligação pode ser feita em pé, desde que isso não gere desconforto. Reuniões mais longas podem incluir momentos para levantar e caminhar. Documentos que não precisam ficar na tela podem ser lidos em outro local, sem substituir o descanso dos olhos por uma nova situação de esforço.

A mudança de postura deve ser confortável e segura. Não é necessário adotar posições extremas, fazer movimentos bruscos ou insistir em alongamentos que provoquem dor.

Inclua atividade física fora do expediente

As pausas no trabalho são importantes, mas não substituem a atividade física regular. A OMS recomenda, para adultos, de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, ou uma combinação equivalente. A entidade também recomenda atividades de fortalecimento muscular em dois ou mais dias da semana, quando não houver contraindicação. (who.int)

Caminhada, bicicleta, dança, natação, exercícios de força e outras atividades podem contribuir para aumentar o movimento semanal. Quem está parado há muito tempo pode começar com períodos curtos e aumentar gradualmente a duração e a frequência.

Para algumas pessoas, a atividade mais viável é caminhar parte do trajeto, usar escadas quando for seguro, fazer exercícios em casa ou participar de aulas próximas. O mais importante é escolher uma prática compatível com a condição física, a rotina e as preferências pessoais, de modo que possa ser mantida ao longo do tempo.

Cuide dos olhos e da concentração

O uso contínuo de telas pode provocar ardência, ressecamento, visão embaçada e dor de cabeça. Esses sintomas podem estar associados ao esforço visual, à iluminação inadequada, ao brilho excessivo ou à falta de pausas para olhar para longe.

Para reduzir o desconforto, evite reflexos diretos na tela, ajuste o brilho conforme o ambiente e faça pausas visuais durante a jornada. Sempre que possível, desvie o olhar do monitor e observe algo a uma distância maior por alguns instantes. Piscar com frequência também ajuda a reduzir o ressecamento ocular.

Se houver dificuldade persistente para enxergar, dores de cabeça frequentes ou necessidade de aproximar muito o rosto da tela, é recomendável buscar avaliação de um profissional de saúde.

Não ignore dor, formigamento ou perda de força

Desconfortos ocasionais podem melhorar com a mudança de posição e o descanso. No entanto, dor que persiste, piora ou interfere no sono e nas atividades diárias merece atenção. Formigamento recorrente, perda de força, inchaço importante, limitação de movimentos ou dor irradiada para braços e pernas também devem ser avaliados.

Nessas situações, procure um serviço de saúde. O profissional poderá investigar as causas e orientar o tratamento adequado. Evite manter a rotina de esforço acreditando que a dor será resolvida apenas com alongamentos ou com a troca da cadeira.

Em caso de sintomas intensos, súbitos ou acompanhados de falta de ar, dor no peito, fraqueza repentina ou alteração importante da sensibilidade, procure atendimento de urgência.

O que a empresa pode fazer

A prevenção não depende somente do trabalhador. A organização deve avaliar as condições do posto, considerar o ritmo e a exigência das tarefas, orientar as equipes e corrigir fatores que favoreçam sobrecarga. A ergonomia envolve mobiliário, equipamentos, ambiente, organização do trabalho e participação dos trabalhadores.

Se a cadeira, a mesa, a tela ou os equipamentos não permitirem ajustes adequados, comunique o responsável pela área, o setor de saúde e segurança do trabalho ou a gestão. Também informe quando as pausas previstas não são respeitadas ou quando o volume de tarefas impede a alternância de atividades.

Em trabalho remoto, vale aplicar os mesmos cuidados. Improvisar uma estação na cama ou no sofá pode parecer confortável no início, mas tende a favorecer flexão prolongada do pescoço e falta de apoio para as costas. Uma mesa estável, uma cadeira adequada e pausas organizadas ajudam a separar o trabalho do descanso.

Checklist para uma rotina mais saudável

  • Verifique se os pés estão apoiados e se as costas têm suporte.
  • Posicione a tela à frente do corpo e evite trabalhar com o pescoço girado.
  • Mantenha teclado e mouse próximos, com os ombros relaxados.
  • Interrompa períodos prolongados sentado para levantar e caminhar.
  • Alterne tarefas e posturas durante a jornada.
  • Beba água e aproveite o deslocamento até o bebedouro para se movimentar.
  • Faça atividade física regular fora do expediente, respeitando seus limites.
  • Procure orientação de saúde se a dor ou o formigamento persistirem.

Pequenas mudanças repetidas todos os dias podem melhorar o conforto e reduzir o tempo de imobilidade. A melhor abordagem combina um posto de trabalho ajustado, pausas possíveis dentro da organização da jornada, movimento regular e atenção aos sinais do corpo.

Conteúdo informativo: as orientações não substituem avaliação médica, fisioterapêutica ou ergonômica individual. Para conhecer as regras oficiais de ergonomia, consulte a Norma Regulamentadora nº 17 e as recomendações da Organização Mundial da Saúde.