terça-feira, 27 de outubro de 2026
MANCHETES

Juventude potiguar encontra novas oportunidades na tecnologia e no empreendedorismo

Jovens do Rio Grande do Norte passaram a contar com novas iniciativas de formação tecnológica, empreendedorismo e inovação. Projetos públicos, instituições de ensino, Sebrae e entidades do setor produtivo buscam aproximar a juventude potiguar do mercado de trabalho e da criação de negócios.

A juventude potiguar passou a encontrar novas possibilidades de formação, trabalho e criação de negócios em áreas ligadas à tecnologia e ao empreendedorismo. No Rio Grande do Norte, iniciativas de órgãos públicos, instituições de ensino, Sebrae e entidades do setor produtivo vêm aproximando jovens de temas como inovação, inteligência artificial, inclusão digital, gestão e desenvolvimento de soluções para problemas locais.

Os projetos têm formatos diferentes. Há ações voltadas à formação cidadã e digital, programas de educação empreendedora nas escolas, eventos para conectar startups e investidores, incubadoras de empresas e editais que oferecem capacitação e recursos para transformar ideias em produtos e serviços.

O movimento ocorre em um momento de expansão da demanda por profissionais capazes de utilizar ferramentas digitais, desenvolver soluções tecnológicas e atuar em setores estratégicos da economia. Para a juventude do estado, a combinação entre qualificação e apoio à inovação pode abrir caminhos tanto para o emprego quanto para o empreendedorismo.

Formação digital chega a diferentes territórios

Uma das iniciativas em execução é o projeto Rede de Juventude Potiguar, desenvolvido pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte. A ação prevê a capacitação de cerca de 200 jovens de 15 a 29 anos, residentes em regiões como Agreste, Seridó, Alto Oeste, Potengi e Região Metropolitana de Natal.

O projeto está organizado em três eixos: formação política, empreendedora e digital. Além das atividades formativas, a proposta inclui o apoio à criação de microprojetos comunitários e a realização de encontros territoriais. A iniciativa também estabelece prioridade para grupos considerados mais vulneráveis, entre eles populações quilombolas, moradores de áreas rurais e pessoas LGBTQIA+.

Na prática, o modelo procura ir além do ensino de ferramentas. A formação combina competências digitais, participação social e elaboração de projetos, permitindo que os participantes relacionem o conhecimento adquirido a desafios presentes em suas próprias comunidades.

Esse tipo de abordagem é relevante em um estado com diferenças econômicas e de acesso entre a capital, o interior e as áreas rurais. A interiorização das oportunidades pode reduzir a dependência de deslocamentos para Natal e ampliar a participação de jovens que tradicionalmente têm menos acesso a laboratórios, cursos e redes de inovação.

Inteligência artificial e futuro do trabalho

A aproximação entre juventude e tecnologia também aparece em ações voltadas à inteligência artificial. Em janeiro de 2026, uma unidade móvel do Sistema FIERN levou atividades de educação tecnológica a estudantes de Pedro Avelino, na região central do estado.

De acordo com as informações divulgadas sobre a ação, 60 jovens participaram de uma formação de dois dias, com contato com temas relacionados à inteligência artificial, robótica educacional e futuro do trabalho. As atividades também chegaram à comunidade rural de Nova Conquista, no mesmo município.

A proposta é levar conhecimento tecnológico para além dos grandes centros urbanos. Ao circular por diferentes cidades, a unidade móvel contribui para apresentar aos estudantes possibilidades profissionais que muitas vezes ainda são pouco conhecidas no ambiente escolar, como programação, automação, análise de dados e desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial.

O contato inicial não garante, por si só, a inserção no mercado de trabalho. No entanto, pode funcionar como porta de entrada para cursos técnicos, graduação, programas de aprendizagem e outras formações. Também ajuda a despertar o interesse por carreiras que exigem conhecimento digital e que estão presentes em empresas de diferentes setores.

Empreendedorismo começa ainda na escola

A educação empreendedora é outra frente que ganhou espaço no Rio Grande do Norte. Segundo dados divulgados sobre o programa do Sebrae no estado, as ações alcançaram mais de 130 mil estudantes em 2025 e chegaram a cerca de 500 escolas.

Entre as atividades citadas estão disciplinas de empreendedorismo no ensino médio e na educação profissional, o Programa Despertar, a Empresa Simulada e iniciativas on-line. As propostas apresentam aos alunos conceitos de planejamento, organização, identificação de oportunidades, trabalho em equipe e desenvolvimento de soluções.

O objetivo não é transformar todos os estudantes em empresários. A educação empreendedora também pode contribuir para a formação de pessoas mais preparadas para lidar com problemas, tomar decisões e compreender o funcionamento de um negócio ou de uma organização.

Para quem deseja abrir uma empresa, o contato com esses conteúdos pode ajudar a evitar erros comuns, como começar uma atividade sem conhecer o público, não calcular os custos ou não definir uma estratégia de vendas. Para os demais estudantes, a formação pode ser útil em trajetórias profissionais dentro de empresas, cooperativas, organizações sociais e órgãos públicos.

Startups e incubadoras aproximam ideias do mercado

O ecossistema de inovação potiguar também conta com ações voltadas diretamente à criação de startups. Em março de 2025, o Sebrae e o IFRN promoveram uma edição do Startup Day em nove municípios do Rio Grande do Norte.

O evento foi apresentado como uma oportunidade de ampliar o networking, atualizar conhecimentos e aproximar empreendedores da comunidade de inovação. A programação incluiu discussões sobre empreendedorismo e inovação, além da participação de incubadoras tecnológicas do IFRN.

Eventos desse tipo cumprem uma função importante para quem está começando. Muitas ideias não avançam por falta de orientação, contatos ou conhecimento sobre o mercado. Ao reunir estudantes, empreendedores, instituições de ensino e empresas, os encontros podem facilitar parcerias e estimular a troca de experiências.

Outra porta de entrada é o Hotel de Ideias, programa da Incubadora de Empresas Natal Central do IFRN. A iniciativa busca apoiar estudantes no desenvolvimento de ideias inovadoras e integra as ações institucionais de pesquisa, inovação e empreendedorismo.

As incubadoras ajudam a organizar uma ideia de negócio, avaliar sua viabilidade e estruturar etapas de desenvolvimento. Dependendo do programa, os participantes podem ter acesso a mentorias, orientação técnica, infraestrutura e conexões com outras instituições.

Editais oferecem apoio para transformar ideias em negócios

O Programa Centelha 3 Rio Grande do Norte representa outra oportunidade para empreendedores inovadores. O edital é uma parceria entre Sebrae-RN, Fundação de Amparo e Promoção da Ciência, Tecnologia e Inovação do RN, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Finep, CNPq, Confap e Fundação CERTI.

A proposta é estimular o empreendedorismo inovador por meio de capacitações e apoiar o desenvolvimento de produtos, serviços ou processos que incorporem novas tecnologias. O programa prevê subvenção econômica, ou seja, recursos não reembolsáveis, além de bolsas de fomento tecnológico e extensão inovadora.

Esse tipo de mecanismo pode fazer diferença para jovens que possuem uma ideia, mas não têm capital suficiente para desenvolver um protótipo ou validar uma solução. O apoio financeiro, combinado à capacitação, reduz parte dos riscos da fase inicial e aumenta as condições para que o projeto seja testado.

O acesso, contudo, depende das regras de cada edital. Os interessados precisam acompanhar os canais oficiais, verificar o público-alvo, observar os prazos e preparar a documentação solicitada. Também é necessário apresentar uma proposta clara, com problema identificado, solução, público beneficiário e estratégia de execução.

Plano estadual inclui juventude, tecnologia e renda

O Governo do Rio Grande do Norte instituiu, em 29 de maio de 2026, o Plano Estadual de Juventude para o período de 2026 a 2036. O documento organiza diretrizes e metas para políticas públicas voltadas aos jovens e inclui temas como formação, trabalho, renda, empreendedorismo, cultura e acesso às tecnologias.

O plano prevê a articulação entre diferentes áreas do governo, instituições de ensino, municípios, organizações da sociedade civil e entidades representativas da juventude. A proposta também considera a necessidade de reduzir desigualdades regionais, sociais, étnico-raciais e de gênero.

Ao incluir tecnologia e empreendedorismo entre os eixos de política pública, o Estado reconhece que a inclusão dos jovens no desenvolvimento econômico depende não apenas da escola, mas também de acesso a equipamentos, conectividade, orientação profissional, financiamento e redes de apoio.

A efetividade do plano dependerá da transformação das diretrizes em programas permanentes, metas acompanháveis e ações com presença nos municípios. A continuidade das políticas será especialmente importante para evitar que cursos e eventos isolados sejam as únicas oportunidades disponíveis para os jovens.

Desafios permanecem para ampliar o acesso

Apesar do crescimento das iniciativas, ainda existem obstáculos para que as oportunidades cheguem a toda a juventude potiguar. A qualidade da conexão à internet, a disponibilidade de computadores, a distância dos centros de formação e a necessidade de conciliar estudo e trabalho podem limitar a participação.

Também é preciso considerar as diferenças entre jovens que já possuem algum conhecimento tecnológico e aqueles que estão tendo o primeiro contato com ferramentas digitais. Programas de formação precisam oferecer diferentes níveis de aprendizagem e acompanhar a evolução dos participantes.

Outro desafio está na conexão entre capacitação e oportunidade concreta. Cursos e oficinas podem ampliar o conhecimento, mas os resultados tendem a ser maiores quando há encaminhamento para estágios, aprendizagem profissional, incubação, crédito, mentorias ou contratação.

O fortalecimento de parcerias entre escolas, institutos federais, universidades, empresas e governos pode contribuir para preencher essa lacuna. A participação do setor produtivo ajuda a aproximar os conteúdos das necessidades reais do mercado, enquanto as instituições de ensino oferecem estrutura para pesquisa, experimentação e formação continuada.

Oportunidades dependem de informação e participação

Para os jovens interessados, o primeiro passo é acompanhar os canais oficiais do IFRN, do Sebrae-RN, da FAPERN, da FIERN e dos órgãos estaduais de juventude. Editais, inscrições e atividades podem ter públicos, prazos e critérios diferentes.

Também é recomendável organizar documentos pessoais, histórico escolar e informações sobre a ideia ou projeto que será apresentado. Em programas de empreendedorismo, uma descrição objetiva do problema e da solução pode ajudar na preparação da inscrição.

A expansão de iniciativas de tecnologia e empreendedorismo mostra que a juventude potiguar começa a ocupar um espaço mais central na agenda de inovação do estado. O resultado mais duradouro dependerá da continuidade das ações, da interiorização dos programas e da capacidade de transformar formação em trabalho, renda e soluções para os territórios.