segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Mercado de Trabalho

Projeto em análise na Câmara amplia proteção para mães na volta ao emprego

O PL 2307/2026, ainda sem validade, estabelece medidas para o retorno de trabalhadoras após a licença-maternidade e aguarda relator na Comissão de Trabalho da Câmara.
projeto-licencamaternidade

Um projeto em análise na Câmara dos Deputados estabelece novas medidas para trabalhadoras que retornam ao emprego após a licença-maternidade. O Projeto de Lei 2307/2026 prevê que empresas com 20 ou mais funcionários realizem uma entrevista de alinhamento com a empregada no retorno às atividades.

Apresentado pela deputada Denise Pessôa (PT-RS), o texto ainda não está em vigor. Para produzir efeitos, a proposta terá de avançar pelas comissões da Câmara e ser aprovada pelo Congresso.

Entrevista deve orientar a retomada das atividades

De acordo com o projeto, a empresa deverá realizar pelo menos uma reunião com a trabalhadora quando ela voltar ao emprego depois do afastamento. A entrevista terá duas finalidades previstas na proposta.

A primeira será definir as atividades que serão desempenhadas pela empregada na retomada do trabalho. A segunda consistirá em informar as mudanças ocorridas na empresa durante o período da licença-maternidade.

O texto trata a reunião como uma medida de acolhimento e de organização do retorno. A proposta não estabelece apenas a retomada das tarefas, mas também prevê que a trabalhadora receba informações sobre alterações ocorridas enquanto esteve afastada.

As medidas seriam aplicadas a empresas que tenham 20 ou mais funcionários. O projeto, portanto, estabelece esse número como referência para a adoção das providências de retorno previstas no texto.

Proposta prevê preservação das condições anteriores

Outro eixo do PL 2307/2026 é a manutenção do cargo, da função e da jornada que a trabalhadora tinha antes da licença-maternidade. A regra busca preservar as condições de trabalho existentes no momento do afastamento.

O texto admite mudanças em três situações. Elas poderiam ocorrer por recomendação médica, por pedido expresso da própria trabalhadora ou por negociação coletiva.

Assim, a alteração do cargo, da função ou da jornada não seria apresentada como uma decisão automática da empresa no retorno da licença. Segundo a proposta, a mudança dependeria de uma das hipóteses indicadas no projeto.

A preservação prevista no texto se soma à entrevista de alinhamento. Enquanto a reunião serviria para definir as atividades e comunicar mudanças ocorridas durante a ausência, a manutenção das condições anteriores funcionaria como referência para a retomada do emprego.

Justificativa menciona estabilidade após o parto

Na justificativa apresentada à Câmara, Denise Pessôa afirma que a estabilidade provisória de cinco meses após o parto não seria suficiente para assegurar a permanência das mães no emprego.

Com base nesse entendimento, a deputada defende a ampliação da proteção no momento de retorno ao trabalho. O projeto também propõe incluir expressamente a maternidade entre os motivos de discriminação proibidos pela legislação trabalhista.

A justificativa relaciona a proposta às dificuldades enfrentadas por trabalhadoras que voltam às atividades profissionais depois do período de licença. O texto busca estabelecer regras específicas para essa etapa, além da proteção já mencionada na legislação trabalhista.

O projeto, no entanto, ainda está em fase de análise legislativa. As medidas descritas na proposta não podem ser exigidas das empresas enquanto não houver aprovação e transformação do texto em lei.

Tramitação ainda está no início

O PL 2307/2026 aguarda a designação de relator na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados. Essa é a primeira etapa indicada para a análise da proposta.

Depois da Comissão de Trabalho, o texto deverá passar pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

A tramitação pelas comissões ainda não representa a aprovação do projeto. Para se tornar lei, a proposta precisará seguir o processo legislativo no Congresso e ser aprovada conforme as etapas previstas.

Até a conclusão desse processo, permanecem apenas as regras atualmente em vigor. O PL 2307/2026 poderá ser alterado durante a análise parlamentar, antes de uma eventual aprovação definitiva.

O que o projeto prevê

Se aprovado na forma apresentada, o texto alcançará empresas com 20 ou mais funcionários e estabelecerá, no retorno da licença-maternidade:

  • realização de pelo menos uma entrevista de alinhamento com a trabalhadora;
  • definição das atividades que serão desempenhadas na volta ao trabalho;
  • informação sobre mudanças ocorridas na empresa durante o afastamento;
  • manutenção do cargo, da função e da jornada anteriores à licença;
  • possibilidade de alteração mediante recomendação médica, pedido expresso da trabalhadora ou negociação coletiva.

A proposta também prevê que a maternidade seja incluída expressamente entre os motivos de discriminação proibidos pela legislação trabalhista. Todas essas medidas ainda dependem da tramitação e da aprovação do projeto no Congresso Nacional.

Com informações da Agência Câmara de Notícias.